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Cadastre-se!Sócio Fundador e Titular da Advocacia Dagoberto J. S. Lima é formado pela Universidade de São Paulo – USP, Largo de São Francisco, no ano de 1965, exercendo a partir daí e ininterruptamente a advocacia liberal. Advogado especialista em direito empresarial em geral e especialmente na área da saúde, atuando na área há mais de 40 anos.

Tramitam no Congresso Nacional mais de 20 Projetos de Lei (PL) que tratam da redução da jornada de trabalho para profissionais da área da saúde. É evidente que a aprovação desse tipo de resolução causa um significativo impacto econômico. O PL 2295/00, que trata da carga horária dos enfermeiros, é o que mais preocupa as empresas do setor.
Cálculos da Advocacia Dagoberto J.S. Lima demonstram que o impacto na folha de pagamento, com base no piso salarial da categoria estabelecido na Convenção Coletiva de Trabalho de São Paulo, seria de 165,71%. Se for considerado o salário médio praticado, o acréscimo é de 37,24%. Os números evidenciam também que os enfermeiros recebem um salário mais alto do que a lei obriga.
O Projeto de Lei em questão não trará somente consequências de ordem econômica, mas também de ordem operacional. Há, atualmente, em todo o Brasil cerca de 350 mil enfermeiros graduados e atuantes em São Paulo. Estimamos que, com a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, serão necessários mais de 100 mil para dar cobertura a todos os estabelecimentos de serviços de saúde do Estado. É preciso considerar quanto tempo levará para formar tantos novos profissionais, de maneira a não prejudicar o atendimento aos pacientes.
Pleiteiam ainda jornada de 30 horas fonoaudiólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e biomédicos. Farmacêuticos e médicos querem jornadas ainda mais curtas, de 20 horas semanais. A aprovação de qualquer uma dessas medidas vai gerar efeito cascata e todas as categorias conquistarão os mesmos direitos. Assim, nenhuma empresa será capaz de cumprir à risca todas as condições de forma adequada e sem trazer transtornos.
Cumpre lembrar que não só os Projetos de Lei sobre a redução da jornada de trabalho preocupam a área da saúde, mas também as propostas de alteração de piso salarial. Alguns deles são a PL 3734/08 (que estabelece o piso de R$ 7 mil para médicos e cirurgiões dentistas); PEC 454/10 (que defende o piso nacional dos médicos concursados do SUS em R$ 15.187); e os PLs 5439/09, 5440/09, 5394/09, 5393/09, 5359/09, 4924/09 (piso salarial de R$ 4.650 mensais para nutricionistas, psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos e enfermeiros.
O setor da saúde teme a aprovação dos projetos, pois vão gerar enormes complicações. Uma delas é a dificuldade de contratação de profissionais que resultará em sérios prejuízos no atendimento dos pacientes. Isso sem falar nos custos que a redução das jornadas e o aumento dos pisos vão implicar. Vale ressaltar que a cada dois anos o Rol de Procedimentos é revisto e ampliado, gerando altos custos que já não são cobertos pelo reajuste das mensalidades. É certo que, da forma como estão delineadas as propostas, diversas instituições não terão condições de manter suas atividades e fecharão suas portas.